O Caderno. 23 de outubro de 2026 — 11h53 BRT
FOLHA Nº 1 — SEXTA-FEIRA, 23 DE OUTUBRO DESENVOLVIMENTO/IDEIAS/HOBBY

O caderno está vivo!

As vozes da minha cabeça precisavam de um lugar. Então fiz essa newsletter.

@ocnaibill · Bianco Da Costa Oliveira Brasília · Escrito às 07:50 · 5 min de leitura

A ideia

Sempre tive a sensação de que se eu não colocar em palavras metade das coisas que passam pela minha cabeça (e honestamente, são muitas) durante o banho ou enquanto tô escutando música no ônibus, elas simplesmente evaporam, como acordar e tentar se lembrar de um sonho. E não, não estou dizendo que tenho muitas ideias boas. Pelo contrário, algumas ideias são ruins demais para serem esquecidas tão fácil assim.

Primeiro eu gostaria de dizer que isso aqui não é literalmente uma newsletter. Tá mais para uma espécie de diário aberto, quase que um blog (se é que isso ainda existe). Como alguém que nasceu em 2004, eu vi minha prima mais velha mexer ainda um pouco com esse tipo de coisa, conheço algumas páginas gringas, principalmente da bolha dev, que têm espaços parecidos com este. Fiz no intuito de me testar, testar: queria descobrir se conseguiria criar algo aparentemente tão simples e trivial do zero. Até porque O Caderno não possui código herdado de algum outro projeto aberto ou inspiração direta de algum lugar. (embora o caderno seja open-source e está no meu GitHub caso alguém queira criar o próprio.)

Então é isso, eu criei esse lugar não para ser um manual ou página de dicas, também não vou ser o cara que sempre vai estar trazendo notícias, embora eu com certeza vou querer comentar das que eu gosto. A verdade é que sinto que nós, humanidade, passamos boa parte do dia consumindo centenas de abas diferentes que muitas vezes não nos agregam a nada, e não digo isso querendo ser o cara intelectual que é totalmente contra reels. Eu sou o cara que ri do gif de um peixe em 144p girando ao som de Funkytown, não me sinto superior a ninguém. Só quero dizer que muitas vezes só ficar nisso acaba com a nossa cabeça, nos faz esquecer de pensar, ou até de deixar nossos projetos e vontades pela metade. Criar esse lugar também foi um jeito de me fazer pensar, de liberar meu anseio criativo. Essa pulsão que muitas vezes parece presa numa panela de pressão. Me ajuda a organizar as ideias, e de alguma forma compartilhar o que gosto de dizer e pensar. Embora esse projeto não tenha a mínima intenção de chegar em várias pessoas, nem mesmo em outra pessoa. Só ter escrito já basta.

Como eu fiz & Como funciona

Essa parte é dedicada aos meus nerds que podem querer saber como que esse site funciona. Se não se interessar por essa parte, não tem problema, coisas novas e mais diferentes virão ;)

Bem, como eu já disse, meio que eu fiz isso aqui do 0. Não tem muito segredo, usei o Bun (só porque sim, não tenho um motivo por trás) e pelo fato de achar que fosse algo mais "simples", também é feito em HTML puro, não tem um framework por trás, um React, nada. Só no pelo mesmo, montado em TypeScript. Foi mais um teste de verdade: eu queria ver se conseguia pensar o site inteiro: Roteamento, renderização, banco. Sem ficar na zona de conforto de uma abstração pronta.

A parte mais demorada (e que mais gostei) foi a prototipagem. Eu sinceramente gosto de criar no Figma toda e qualquer tela/interface dos meus projetos, e amo passar um bom tempo nisso, e creio que é algo que falta bastante nos engenheiros de software (mas considerando a estética que conheço da maior parte dos meus colegas da área, penso que realmente seja melhor deixar para os designers este trabalho). Gosto de fazer a tela que existe somente na minha cabeça se tornar real fora dela. E fazer isso no figma abre espaço para melhorar antes de só sair escrevendo código.

Sobre onde colocar isso no ar, a verdade é que não tem nada de especial. É só um processo Bun rodando, com um arquivo SQLite do lado e uma pasta de markdown. Dava pra subir isso em qualquer VPS baratinha, numa dessas plataformas serverless que aceitam rodar Bun, ou até numa Raspberry Pi jogada debaixo da mesa (sem exagero, é tão leve que rodaria numa torradeira, se torradeira tivesse Linux).

Mas decidi deixar no meu homelab mesmo (aos meus amigos que estão lendo, vocês sabem muito bem o nome bobo do meu servidor), dentro de Docker. Nada muito sofisticado: um Dockerfile bem direto, um docker-compose que sobe o container e monta minha pasta de conteúdo como volume. Dessa forma, quando eu escrevo uma folha nova por aqui mesmo, ela cai direto no disco da minha própria máquina, sem passar por API de ninguém, sem depender de terceiro pra guardar o que eu escrevo. Fica tudo num túnel do Cloudflare, então não preciso abrir porta nenhuma pro mundo direto na minha rede (e já que estamos sendo sinceros aqui: no meio do caminho eu consegui fazer meu próprio domínio brigar com meu provedor de e-mail pelo mesmo nome. Mas isso é história pra outro dia).

Por hoje é só, pessoal

Acho que vou acabar a primeira folha do meu caderno por aqui, na verdade, acho que já tá grandinha demais. Mas fazer o que? Eu só queria ter o que escrever no início desse projeto e acho que um pouco de inception não é nada ruim, até porque essa folha eu escrevi no protótipo lá no Figma.

Como eu disse, não me sinto superior a ninguém, meu humor é esse aí.

Las Cartas

Vem, dê pitaco.

O caderno pode até ser meu, e conter as minhas loucuras. Mas isso não significa que você não possa fazer algo além de dar palco pra maluco. Me diz o que tem pra dizer, e aí podemos deixar aqui junto das mil anotações.

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